Pedro Teixeira - O Conquistador da Amazônia
Graças a sua coragem e obstinação somo detentores de um dos territórios mais ricos do mundo
MEMÓRIA MILITAR
Ronaldo Bastos
3/12/20253 min read


A história do Brasil é uma fonte rica e vasta de possibilidades históricas e repleta de grandes personalidades que marcaram de forma indelével a memória popular e, particularmente, a memória militar. Aliás, a história do Brasil se confunde com sua história militar, uma vez que a própria natureza da colonização foi revestida de um caráter beligerante, de modo que a ocupação de um território coberto por uma densa floresta e abarrotada de aborígenes não poderia ter sido diferente.
Uma dessas grandes personagens históricas que marcou a memória militar brasileira foi o destemido bandeirante português e capitão-mor Pedro Teixeira, mais conhecido como o conquistador da Amazônia, cuja galhardia e obstinação alargaram as fronteiras terrestres coloniais, nos agraciando com um país de proporções colossais e um valioso patrimônio natural.
Os antecedentes históricos de Pedro Teixeira são pouco conhecidos, mas o que se sabe a seu respeito é que foi oriundo de Cantanhede, Portugal, e chegou à colônia portuguesa na América, por volta de 1607. Neste período, Portugal e Espanha haviam se unificado, numa união que ficou conhecida como União Ibérica (1580-1640), e como consequência dessa união, a divisão do Novo Mundo entre as duas nações, celebrado pelo Tratado de Tordesilhas, perdeu seus efeitos.
Além disso, Portugal herdou todos os inimigos dos espanhóis, tais como os holandeses, ingleses e franceses que, excluídos da partilha colonial nas Américas, resolveram partir para uma ofensiva, assediando a colônia ibérica em diversos pontos. Na região norte, os franceses construíram fortificações em São Luís, no Maranhão e no Amapá, próximo a foz do Rio Amazonas. No nordeste, os holandeses ocuparam Salvador, na Bahia, e após serem expulsos pelos colonos portugueses, realizaram nova tentativa em Pernambuco, onde obtiveram um sucesso duradouro.
É nesse contexto que se insere a grande odisseia de Pedro Teixeira. Militar experiente, conquistou a confiança das autoridade coloniais, uma vez que já havia lutado em diversas batalhas contra os invasores europeus e pelo seu vasto conhecimento regional. A ideia de mandar Pedro Teixeira explorar e demarcar as margens do Rio Amazonas, originou-se do espanto pela chegada inesperada de dois frades espanhóis, juntos de alguns indígenas, provenientes de Quito, no vice-reino do Peru, em 1636, após uma fracassada tentativa de captura dos índios conhecidos como “encabelados”.
Pedro Teixeira, investido de ampla autoridade concedida pelo Governador-geral da província do Maranhão e Grão-Pará, Jácome Raimundo Noronha, com canoas esguias talhadas pela mão indígena e uma hoste de dois mil bravos exploradores romperam a correnteza do grande rio, vencendo desafios que a própria razão julgaria impossíveis, conforme relatado no livro A questão geopolítica da Amazônia, de Nelson de Figueiredo Ribeiro:
“Pedro Teixeira, com a patente de capitão-mor e poderes de general de Estado, organizou a expedição com 1200 índios de remo e peleja, 70 soldados portugueses, 47 canoas, mais algumas mulheres e curumins, no total acima de 2.000 pessoas.”
Partindo de Cametá, no Pará, em outubro de 1637, avançou enfrentando os perigos da selva densa e a astúcia de inimigos ocultos, por meses. Lá chegando, foi recebido calorosamente com honras militares por parte das autoridades espanholas e, após curta estadia, regressou para o lado português, aqui chegando em agosto de 1639. No caminho de volta, fundou diversas missões e povoamentos, dentre os quais, um no extremo oeste da colônia, o qual chamou de Franciscana, em homenagem aos dois frades que os acompanhavam na viagem de ida.
A Amazônia, antes incerta, era agora portuguesa por direito e por conquista, pelo princípio de utis posidetis (posse pela ocupação). Essa conquista transformou um simples mortal, numa lenda viva que sobrepujou a geografia amazonense e os desígnios dos homens, convertendo-o num símbolo imortal.